04/09/2019 às 13h06min - Atualizada em 04/09/2019 às 19h51min

A gourmetização das marcas está azedando o mercado gastronômico

Agregar o selo de gourmet a uma marca não é necessariamente a melhor estratégia de branding para as empresas. O melhor caminho é dar destaque ao modelo de negócio a partir de um propósito verdadeiro e criações originais.

DINO
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Originalidade vs Gourmet

Desde a chegada da moda do tomate seco aqui no Brasil, a "gourmetização" do mercado gastronômico vem crescendo de um modo desorganizado e desesperado para atrair a atenção dos clientes comensais.

Anos atrás começaram a colocar tomate seco nas pizzas, na época era um ingrediente pouco comum e repentinamente virou moda e sinônimo de qualidade. Após as pizzas, o tomate seco invadiu todas as receitas imagináveis, e era possível encontrar a iguaria até dentro de empadas de rodoviárias. Nada contra essas empadas, pelo contrário, são extremamente características e podem ser deliciosas, mas esse tipo de salgado pode ser tudo, menos "gourmet".

O tomate seco foi um dos pioneiros aqui no Brasil dessa onda que se tornou a "gourmetização". Logo após vieram, e continuam vindo, várias tendência de qualificar produtos como gourmet; Hambúrgueres, pizzas, brigadeiros, e tudo o que se possa imaginar já foi e continua sendo "gourmetizado".

O grande problema disso, é que hoje a maioria dos empreendedores gastronômicos, iniciantes ou não, acham que para fazer sucesso ou atrair a clientela é necessário adicionar a palavra gourmet na nomenclatura da marca ou na descrição do empreendimento. Muitos acreditam que o selo gourmet chancela a condição de atrair mais clientes e cobrar um preço mais alto pelos produtos vendidos. Porém, muitas vezes a oferta é totalmente contrária ao termo escolhido. É aí que mora o perigo.

O posicionamento, o branding e toda a imagem de um estabelecimento fica comprometido quando a entrega final não condiz com a promessa. Isso é muito ruim para o empreendedor, pois muitas vezes o cliente não volta após sentir-se enganado. Para se posicionar como uma marca gourmet, realmente precisa-se ser gourmet, é necessário fazer o que os franceses chamam de "haute cuisine".

Gourmet é uma palavra francesa que tem como significado o estilo de cozinha mais requintado e refinado, a prática da alta cozinha. Porém não é necessário ser gourmet para servir produtos de qualidade.

Um exemplo clássico é o famoso brigadeiro gourmet. O brigadeiro é um doce típico brasileiro, algo barato e prático de se fazer. Um brigadeiro feito com chocolate belga é apenas um brigadeiro feito com chocolate belga. Não necessariamente precisa ser descrito como um brigadeiro gourmet, pois uma grande fatia dos clientes irá morder o brigadeiro e no final vão apenas sentir o gosto de um bom brigadeiro. Nada de alta cozinha, apenas um bom brigadeiro. São situações como essa, onde utiliza-se a palavra gourmet erroneamente, que algumas marcas começam a azedar e bagunçar todo o mercado.

Existem milhares de estratégias para posicionar uma marca adequadamente, infindáveis ideias para criar uma identidade visual impactante, infinitas linhas para contar uma história criativa e construir uma imagem atrativa aos clientes.

É muito importante ser fiel ao produto final e genuíno com o propósito do empreendimento. Definir verdadeiramente qual será a entrega aos clientes é o passo mais importante para posteriormente fazer o trabalho de criação de branding e a estratégia de posicionamento de um empreendimento.

Quando o assunto é desenvolver marcas, branding e conceito, é importante não se apoiar em modismos ou receitas prontas de cartilhas duvidosas.

Se intenção é empreender, ou se já está inserido no mercado de gastronomia, nade contra o mar da "gourmetização". Ofereça um produto bom e seja verdadeiro com isso, assim ficará muito mais saboroso criar uma marca e uma história bacana para o empreendimento.



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