14/04/2019 às 00h07min - Atualizada em 14/04/2019 às 00h07min

Paga-se por indicação. Feedback... nem pagando.

Jeferson B. Sobczack

O tempo evoluiu para os termos "modinha", mas enquanto isso, a avaliação presencial e técnica de forma objetiva que permite ao bom profissional ocupar as posições de trabalho, ficam cada vez mais esquecidas e com isso a ganha espaço a lenda da falta de profissionais no mercado.

Com alguma frequência vejo algumas empresas que estão pagando recompensa para receber indicação de candidatos a suas vagas de trabalho.

Me pergunto se estas empresas não seriam as mesmas que têm por hábito não dar retorno aos seus candidatos? E também, não chegar ao menos chamar as dezenas, centenas e milhares de pessoas que se candidatam para uma devida avaliação, independente do argumento que "não temos tempo para isso", pois vaga aberta e novos anúncios no Face/Linkedin/Blogs/Jornais também custam tempo e dinheiro, sem contar que o posto de trabalho vazio, também tem seu custo, então qual o argumento para não avaliar quem já está "na mão"?

Quando existe o retorno ao candidato, na sua esmagadora maioria, a resposta padrão é "seu perfil não se encaixa na vaga", mas novamente me pergunto, qual a mágica que, independente da profissão, permite avaliar outra pessoa adequadamente apenas por dúzias de texto escrito num "papel" (PDF) sem ao menos conversar com ela, principalmente num mercado (TI) onde ótimos desenvolvedores não são fanáticos pela escrita e "maquiagem" de currículos?

Acredito que se a empresa tiver a consideração (respeito) pelas pessoas que dedicaram seu tempo para cumprir os processos necessários para vir a trabalhar nela, haveria um contínuo interesse destes candidatos a esperar novas oportunidades para vir a trabalhar nesta empresa. Não estou entrando na questão dos intermináveis formulários, com seus sistemas próprios de "base de talentos" (currículos), com campos obrigatórios pedindo por exemplo a data de emissão do seu RG, ou o DIA do início da sua graduação (e não apenas o ano de conclusão), como se fosse mudar alguma coisa.

Com o devido retorno dos processos seletivos aos candidatos, a empresa ganha mais credibilidade, sendo provável nestes casos que elas venham a receber mais indicações, sem necessidade então de ter que pagar recompensa (comprar indicação) para atrair bons profissionais.

Como bônus, sugiro aos responsáveis/diretores pelas empresas (não os recrutadores), iniciar os processos seletivos por provas técnicas práticas e após isso, aplicar os procedimentos de "perfil" e "competências comportamentais", pois seus times estariam completos e sem a lenda de falta de profissionais no mercado.

Finalizo com a certeza de que, para cada vaga aberta (nas vagas mais comuns), deva ter mais de 100 currículos nas caixas postais, e após uma leve "observada" no nome dos candidatos ou na "capa" do currículo, meia dúzia de entrevistas são marcadas e com isso se chega à conclusão que "faltam profissionais bons", pois é mais fácil divulgar novamente a vaga ou informar seus gestores que não encontram ninguém capacitado no "mercado" que entrevistar o restante dos "cem" candidatos e dar oportunidade para quem quer trabalhar e está excluído pelos "analisadores de perfis" via Perfil PDF.

Sei que existem alguns ótimos profissionais realizando processos seletivos em algumas empresas, mas infelizmente são poucos candidatos que têm a oportunidade de encontrar estes ótimos profissionais. Caso não esteja claro, destaco que o objetivo não é criticar o profissional de RH/DP/Psicólogos e Heads ou demais recrutadores diretos, mas sim informar sem dúvidas, que no mercado existem ótimos profissionais disponíveis, mas para isto a burocracia e o formato defasado dos recrutadores realizarem seus processos precisam mudar, assim como mudaram as exigências para contratação. Muita coisa mudou e os processos seletivos são literalmente do século passado.

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